Enjoo/Náuseas na gravidez

Cerca de 70% das mulheres sofrem de enjoos matinais no primeiro trimestre, sendo que estes podem prolongar-se durante o resto da gravidez. As náuseas podem vir com ou sem vómitos, ocorrem principalmente na parte da manhã, mas podem se manifestar a qualquer momento do dia.

O mecanismo exato do desenvolvimento deste sintoma é desconhecido. Sabe-se, no entanto, que as alterações hormonais, principalmente estrogénio, progesterona e hCG (gonadotrofina coriônica humana) podem estar relacionadas com o quadro. Existem evidências de que quanto maior hCG no organismo, maior incidência de náuseas. Além disso a progesterona tem ação sobre a motilidade do trato intestinal, que se tiver mobilidade reduzida, demora mais tempo a esvaziar.

Em Medicina Tradicional Chinesa, as náuseas podem ter várias origens. Os tratamentos serão no sentido de fortalecer o sistema digestivo e equilibrar possíveis desarmonias quer com acupunctura, aconselhamento alimentar ou plantas.

Dicas gerais:

Hidratação – É muito importante mantermos uma boa ingestão de líquidos. A desidratação pode agravar os enjoos, e ao mesmo tempo, os enjoos, se acompanhados por vómitos, podem levar à desidratação. Nem sempre é fácil bebermos água enquanto nos sentimos enjoadas, podemos beber pequenos goles, ou optar por infusões de hortelã, gengibre ou água com pingos de limão ou ainda caldo de miso.

Manter os níveis de açúcar estáveis – Não estar muito tempo sem comer, e tentar evitar alimentos com alto índice glicémico, ou seja, que vão criar subidas e descidas grande de açúcar. Dar preferência por exemplo a pão integral, arroz integral ou batata doce.

Pontos de pressão – Pressionar o ponto 6MC pode ajudar a aliviar os sintomas.

Deixo aqui uma parte do documento das recomendações da OMS (Organização mundial de saúde) para uma experiência de gravidez positiva relativamente às náuseas:
“Gengibre, camomila, vitamina B6 e/ou acupuntura são recomendadas para alívio dos enjoos no início da gravidez, dependendo das preferências da mulher”

Mais informações: info@marciasampaio.com

 

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Parto da Inês

“Vitória – O Parto

10.07.2017
40 semanas e 3 dias. Era 1h da manhã quando começaram as primeiras contrações com intervalos mais regulares.
Tinha sido um dia giro, diferente – em que me permiti a relaxar e a fazer só o que me apetecia, sem olhar para o trabalho e para qualquer obrigação. De manhã, acordei e despachei umas coisas em casa, fui fazer umas últimas compras (actividade regular a partir das 38 semanas em que a iminência do parto é uma constante), fui à MAC onde uma senhora muito querida acabou por me maquilhar e, a meio da tarde, fui ter com a Márcia – a minha querida Doula. Fez-me uma massagem incrível e super relaxante (que, na verdade, desejei durante a gravidez inteira mas, por incrível que pareça, há sempre – ou pelo menos, para mim houve – um milhão de coisas para fazer e gerir antes da chegada de um bebé), conversámos muito e acabámos num lanche-ajantarado na praia de carcavelos.

Estava um fim de dia lindo – não propriamente solarengo, mas uma fusão muito bonita entre o sol e as nuvens cinzentas. Acho, até, que acabou por chuviscar. A Márcia ia de férias para a Tailândia dia 11 e estávamos a dia 9. A data prevista para o parto era 5 de Julho e o limite que o meu obstetra tinha estabelecido como seguro era dia 15. Ela falou-me deste plano logo que nos conhecemos, mas nunca senti que fosse um entrave. No entanto, com a data a aproximar-se era importante haver uma doula back up que me pudesse acompanhar.
Depois fui ter a casa da Marta e da Rita, petisquei qualquer coisa com elas mais uns amigos até que, a dada altura senti que era hora de voltar para casa. Tinha sentido uma contração um pouco mais evidente do que aquelas que andava a sentir há já uns dias (se bem que ainda com uma hora de intervalo entre elas).

​Já em casa, noite de lua cheia, sento-me no sofá a ouvir música, e começo a sentir contrações mais regulares. É estranho perceber se está na hora ou não quando somos mães de primeira viagem. Entretanto, a minha querida amiga-irmã Flávia (com quem não passo muito tempo fisicamente, mas com quem o meu espírito se encontra muitas vezes) envia-me uma música linda sobre o parto em noite de lua cheia – não falávamos há vários dias e ela enviou a música sem perceber o contexto. Foi um dos sinais mais bonitos que podia ter tido.
Decido ligar à Márcia a dar o primeiro alarme e a perguntar se acharia que podia estar na hora e combinámos falar um pouco mais tarde. Durou meia hora a espera. Estava sozinha em casa e queria ter a certeza de que nunca ficaria desconfortável em fase nenhuma. Entre as duas e as três da manhã, chegou a Márcia e a minha mãe. As mulheres mais bonitas e incríveis que podia ter ao meu lado no dia mais mágico de todos. Já explico a parte da magia mais à frente.

Passámos a noite juntas, ao som de Bonobo, em que o ritmo das contrações fugia muito ao padrão e era difícil de perceber se estava a avançar ou não. Por volta das sete da manhã decidimos ir tomar o pequeno almoço e dar uma volta ao quarteirão para tentar acelerar. Mas como sempre habituei a Vitória a muito exercício, ela queria ainda mais.

Depois de mais umas horas em casa, pedi para irmos passear à Ribeira das Naus, ver o rio, apanhar o sol da manhã e encontrar um lugar bonito para um brunch. Andámos, andámos (no meio de contrações e do parto mais improvável do mundo) – elas sempre com a maior paciência e amor do universo, até que chegámos ao rooftop to Hotel do Chiado e nos sentámos com uma das melhores vistas sobre Lisboa. Foi aí que percebi o meu corpo a anunciar a chegada da Vitória. Barriga muito descaída, lábios e cara inchada e contrações cada vez mais fortes.

Voltamos para casa, onde deixámos avançar um pouco mais. Sem a Márcia era impossível passar de forma tão tranquila e segura por cada contração. Ajudava-me a passar por cada uma delas com massagens e respirações. Sentia-a quase como uma extensão de mim, como a coragem que eu precisava que me dessem a conhecer – que embora já existisse dentro de mim (e de todas as mulheres), foi ela que me fez crer nela. Por outro lado, a presença da minha mãe, irmã e melhor amiga, também ela virgem neste processo de parto natural, foi imprescindível. Se a conhecessem, percebiam que a energia dela transborda de força. E ver a mulher que mais admiro, sentir, também ela, admiração por mim, é dos maiores boosts de confiança e amor que poderia querer ter ao meu lado.

Pelas cinco da tarde sentimos que seria boa ideia ir para o hospital. Queríamos ir numa fase suficientemente avançada embora ainda confortável para andar de carro e passar pelo processo de admissão no hospital.

Lá chegámos e demorou uma eternidade para que fosse atendida. O que tem a sua graça – tendo em conta que estava em trabalho de parto num hospital privado. Não menos hilariante foi o primeiro contacto com a enfermeira. É curioso perceber a falta de conhecimento de profissionais da saúde em relação ao papel de uma doula – pior, o preconceito. Mas preferi sempre ver tudo isto com humor (as hormonas são incríveis e ajudaram muito, aqui). Também pensaram que eramos namoradas e que a Márcia, de alguma forma, estaria a influenciar as minhas decisões. O que também tem piada – porque o papel dela foi sempre – ao longo dos nossos vários encontros durante a gravidez e durante o parto – dar-me toda a informação para eu ser o mais livre e feliz possível nas minhas escolhas. Seguimos para o CTG e depois toque com a obstetra de banco (que ainda tentou desviar o plano de parto e impingir a administração da epidural) mas tentei sempre ser a minha versão mais calma e grata. Estava com 5cm de dilatação.

Estivémos muitas horas à espera que a dilatação evoluísse mas parecia estar estagnada nos 6cm. O meu médico só viria quando eu estivesse a ir para o bloco para eu não sentir qualquer tipo de pressão, portanto acabei por ser examinada por uma médica que tornou tudo isto muito mais interessante. Cara fechada, um jeito bruto e insistente na administração de oxitocina. Confesso que, a dada altura me senti desnorteada e à beira de ficar sem forças. Mas depois de uma conversa ao telefone com o meu querido obstetra Pedro Martins, decidimos que rebentar as águas seria a melhor solução para eu conseguir poupar energias para o resto do trabalho de parto. A Márcia e a minha mãe, sempre serenas, e confiantes em qualquer que fosse a minha decisão.

Assim foi. Depois disso até ao bloco foi um ápice. O tempo voou no meio de contrações muito intensas. A Márcia – também já ela de rastos – não me largou um segundo. Quando fui para o bloco devo ter ficado uns 20 minutos sozinha (até hoje não percebemos porque não a deixaram entrar logo) onde estive com a parteira – a quem parecia estar a fazer o maior favor do mundo. Ainda assim, tentei manter a minha intenção de gratidão pela presença dela naquele momento (e, no final, valeu a pena).

Finalmente com a Márcia, vivemos um dos momentos mais bonitos. Estávamos só as duas, a fazer força e a deixar que a Vitória viesse a pouco e pouco. A Márcia foi a primeira a vê-la (uau!). Quando eu já não aguentava mais, chamámos o médico e foi tudo muito rápido. O corpo parece que não resiste àquele anel de fogo que é o bebé a sair dentro de nós. Foi o momento mais poderoso da minha vida. Nunca vou perder a imagem mental da primeira vez que vi a minha filha e do que senti: que depois daquilo, era capaz de tudo. A magia de que falei há pouco não tem que ver com o que idealizamos, mas com o poder de que nos apercebemos que temos enquanto mulheres e com a fé que depositamos e descobrimos nesta hora.

Não posso deixar de dizer que, no final, a parteira se emocionou. Ninguém naquele bloco de partos, para além de mim e da Márcia, acreditava que eu seria realmente capaz. Foi uma madrugada emocionante para todos os que lá estavam. Pelo menos, assim o descreveram.

A Márcia é das pessoas mais marcantes na minha existência e agradeço sempre muito pelos nossos caminhos se terem cruzado. Desde o momento em que a conheci, houve um match emocional, ideológico e espiritual grande mas nunca pensei que fosse tão orgânico e natural. Foi muito mais do que algum dia imaginei e podia pedir. Da mesma forma que desejo ter mais filhos, peço muito que possa ter a Márcia por perto novamente.

A Márcia descomplicou e desmistificou tudo o que se diz sobre este momento. Mostrou-me como é tudo tão natural e possível. Como é importante ouvirmos o nosso coração e percebermos o que é melhor para nós. O que nos faz sentir seguras. E que não faz mal mudar de ideias. Caminhar com ela é um processo muito livre e informado. E, sobretudo, cheio de muito amor.

Muito obrigada, minha querida Márcia, por me teres mostrado tantas coisas bonitas. Por teres acreditado em mim até ao fim. Por nunca largares a minha mão. Sou-te eternamente grata.

Com muito amor,
Inês”

 

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Promoção do trabalho de parto com acupuntura

Cada vez mais mulheres me procuram para “indução do parto” (não considero este o termo mais adequado, preferindo chamar o tratamento depromoção do trabalho de parto), uma vez que preferem um método mais “natural” do que a via química.

Ainda que este seja um método mais “natural”, não deixa de ser uma intervenção, fora do tempo da mãe e do bebé. As investigações sugerem que no momento em que o bebé está pronto para a vida fora do útero, liberta uma hormona que dá sinais às hormonas maternas para iniciar o trabalho de parto. Quando ambos estão prontos, o processo inicia-se. Além disso as datas prováveis de parto, são estimadas e não exatas e daí ser injusto para a mãe e bebé que se queira induzir sem motivos válidos.
É importante que os casais sejam devidamente informados das reais necessidades da indução e dos possíveis “riscos”.

O papel da acupuntura é de ajudar a promover as contrações uterinas, o amadurecimento do colo do útero e dilatação. Além disso é muito importante aliviar a tensão da mãe, avaliar os níveis de stress e ansiedade, frutos do próprio cansaço, vontade de conhecer o bebé, acrescido da pressão social e médica.
Apesar de muitas mulheres entrarem em trabalho de parto após o primeiro tratamento, o mais comum é ser ao fim do 2º ou 3º e por isso se deve iniciar uns dias antes da indução marcada para termos um tempo razoável para preparar o corpo, idealmente após as 41 semanas. Estes tratamentos deverão ser o mais consecutivos possíveis.

Deixo alguns testemunhos de mamãs que recorreram e me enviaram feedback.

“Procurei-te num momento de ansiedade, amor e insegurança. Sonhei 9 meses com um parto despoletado naturalmente e vi-me obrigada às 40 semanas a assinar um termo de responsabilidade depois de no hospital me recomendarem ficar para induzir o parto. Procuraste dentro do teu conhecimento dar-me um caminho diferente. Uma opção que no meu entender veio resolver tudo. Avancei de coração expectante para umas sessões de acupuntura com moxa para despoletar as contrações e ver se o Afonso resolvia vir conhecer os pais. Dedicaste-te com todo o empenho numa altura em que seria de esperar que estivesses a programar e viver a passagem do ano. Estou-te grata pela dedicação e carinho com que me trataste! O que é certo é que após 2 sessões o Afonso decidiu por si vir conhecer o mundo no primeiro dia do ano! Ano novo vida nova, nunca nos esqueceremos da tua ajuda. obrigada por tudo”
Ana Diniz

“Estava já com 40 semanas e 1 dia quando decidi experimentar a promoção do trabalho de parto com acupuntura. Por ter tido uma cesariana com a minha primeira filha não poderia induzir o parto e já tinha a cesariana marcada para uns dias depois. Decidi experimentar a “indução” com acupuntura e bastou apenas uma sessão para obter o tão desejado efeito. Nessa mesma noite comecei a sentir contrações e de madrugada iniciou-se o trabalho de parto. Comigo funcionou na perfeição e é uma excelente opção para evitar as induções através de medicação”.
Margarida Montenegro

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Workshop papas de aveia

“WORKSHOP DE PAPAS CASEIRAS NUTRITIVAS”- Para Bebés, Crianças e Adultos.
por Márcia Sampaio*

28 JANEIRO • SÁBADO • 15H30 ÀS 17H30
INSCRIÇÕES ATÉ DIA 26

1 Inscrição = 17€ / 2 Inscrições conjuntas = 30€

Quer voltar a sentir o controlo e a confiança nos alimentos que serve lá em casa? Então este workshop é para si. Aqui vai aprender como se fazem papas caseiras à base de ingredientes frescos e livres de aditivos, e desse modo garantir uma alimentação mais natural e saudável aos seus filhos, mas também a si, visto que muitas destas papas são excelentes substitutos de refeições para adultos. E como se isso não fosse suficiente, também o pleno e natural sabor dos alimentos consumidos volta a ser uma realidade à sua mesa.
Com o apoio da associação Gosto de ser Mãe (https://www.facebook.com/GostoDeSerMae)

NOTA: A realização do evento está sujeita a um limite mínimo e máximo de participantes. De modo a garantir o seu lugar, por favor formalize a respectiva INSCRIÇÃO ATÉ AO DIA 26, QUINTA-FEIRA, mediante pagamento por transferência bancária para o IBAN – PT 50 0010 0000 51177110001 55 e envio do comprovativo para mypremayoga@gmail.com

* Márcia Sampaio é Doula, terapeuta de Medicina Tradicional Chinesa, também na vertente de nutrição, e possui o curso de formação de Yoga na Gravidez da Birthlight, UK.

 

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“Colo a mais estraga os bebés”

Se ouvirmos o nosso coração de mãe, e sentirmos o que ele nos impulsiona a fazer, percebemos que dar colo é o que mais fazemos. Não só quando o bebé chora ou o temos que transportar, mas também porque é um enorme prazer tê-lo nos nossos braços e porque é o que realmente eles mais precisam.
Até a ciência concorda, é impossivel “estragar” um bebé com colo ou mimos.
Vejam o link:

http://www.scarymommy.com/even-science-agrees-you-literallycant-spoil-baby/

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Recomendações para a prevenção da primeira cesariana

Texto retirado da página bionascimento (link)

“​A Academia de Ginecologia e Obstetrícia Americana (ACOG) em conjunto com a Sociedade de Medicina Materno-Fetal (SMFM) divulgaram no final do mês de Fevereiro de 2014, um consenso em cuidados obstétricos. O consenso reune 18 recomendações que têm por objetivo a prevenção segura da primeira cesariana.
Em Setembro deste ano, tive o privilégio de assistir à conferência LamazeDONA 2014 em Kansas City,e de ouvir a Drª. Katharine D. Wenstrom (uma das responsáveis pela elaboração destas recomendações), a apresentar as motivações e o fundamento científico que levou a este resultado.
Aqui fica a tradução das 18 recomendações.
Consenso nos Cuidados Obstétricos para a Prevenção Segura da Primeira Cesariana
Sociedade para a Medicina Materno-Fetal
Fevereiro 2014
Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG)
Recomendações e respectivo grau de classificação da recomendação

Primeiro estágio do Trabalho de Parto (TP)
 1 – Uma fase latente prolongada (i.e. mais de 20 horas em nulíparas e mais de 14 em multíparas) não deverá ser uma indicação para cesariana.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

2 – Trabalho de parto lento, mas progressivo, no primeiro estádio de TP não deverá ser uma indicação para cesariana
1B –  Recomendação forte, qualidade moderada de evidência
3 – Para a maior parte das Mulheres, a fase ativa do trabalho de parto só deverá ser considerada a partir dos 6 cm de dilatação. Assim, antes dos 6 cm de dilatação estarem alcançados, os padrões de avaliação de progressão de TP para a fase ativa não se deverão aplicar.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência
4 – A cesariana só deverá ser considerada em caso de não progressão do trabalho de parto aos 6 cm de dilatação ou mais e com rotura de bolsa, apesar de 4 horas de actividade uterina adequada, ou pelo menos após 6 horas de administração de oxitocina com actividade uterina inadequada, e sem qualquer alteração na dilatação.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

Segundo estágio do TP
5 – Não foi identificado um limite máximo de tempo no segundo estádio do TP (Expulsivo), sobre o qual se deverão regular para decidir por um parto instrumentalizado.
1C – Recomendação forte, fraca qualidade de evidência
6 – Se o bem estar materno-fetal permitir e antes de se decidir por uma paragem de TP no período expulsivo, deverão permitir o seguinte:

  • Para multíparas o mínimo 2 horas em esforços expulsivos (1B) [1]
  • Para nulíparas o mínimo 3 horas em esforços expulsivos (1B) [2]

Períodos superiores poderão ser apropriados com base numa avaliação individual (p.e. em caso de epidural ou má posição fetal), desde que exista registo de progresso. (1B)
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência
7 – O parto instrumentalizado deverá ser considerado uma opção segura e como uma aceitável alternativa à cesariana, desde que realizado por obstetras bem treinados e experientes. Deverá ser incentivada a formação prática e contínua de competências para o parto vaginal instrumentalizado.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência
8 – A rotação manual occipital fetal em caso de mau posicionamento fetal no segundo estádio do TP é uma intervenção razoável a ponderar antes de se avançar para um parto vaginal instrumentalizado ou uma cesariana.
No sentido de se prevenir de forma segura o parto de cesariana nas situações de mau posicionamento, é importante identificar a posição fetal na segunda fase do TP, principalmente em situações disfuncionais da descida fetal.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

Monitorização da frequência cardíaca fetal
9 – A amnioinfusão [3] em caso de desacelerações repetitivas e variáveis, pode reduzir de forma segura a taxa de partos por cesariana.
1A – Recomendação forte, qualidade elevada de evidência
10 – O teste de estimulação do couro cabeludo [4]  pode ser usada como forma de avaliação do estado do ácido-básico fetal quando estão presentes padrões cardíacos fetais anormais ou indeterminados (anteriormente não-tranquilizador, como por exemplo,  baixa variabilidade ) e ser assim, nestes casos,  uma alternativa segura ao parto por cesariana.
1C – Recomendação forte, fraca qualidade de evidência

Indução do trabalho de parto
11 – Antes das 41 0/7 semanas de gestação, uma indução deverá ser efectuada com base nas indicações clínicas materno-fetais. Induções às ou além das 41 0/7 deverão ser realizadas com o objetivo de diminuir o risco de cesariana e de morbilidade e mortalidade perinatal.
1A – Recomendação forte, qualidade elevada de evidência
12 – Deverão ser utilizados métodos de maturação cervical quando a Mulher apresenta um colo não favorável à indução.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência
13 – Se o estado materno-fetal permitir, a fase latente do parto deverá poder durar mais tempo (até 24 horas ou mais) e recorrer à administração de oxitocina no mínimo por 12-18 horas após a rotura do saco amniótico, e assim evitar o parto de cesariana por se considerar que a indução não foi bem sucedida.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

Má apresentação fetal
14 – A apresentação fetal deverá ser avaliada às 36 semanas de gestação, de forma a poder ser oferecida a versão cefálica por manobras externas [5].
1C – Recomendação forte, fraca qualidade de evidência

Suspeita de Macrossomia
15 – O parto por cesariana para limitar potenciais traumas no parto deverá ser limitado a fetos com estimativas de peso de no mínimo 5,000 g em mulheres sem diagnóstico de diabetes e no mínimo de 4,500 g em mulheres com diabetes.
A prevalência de peso de 5,000 g ou mais à nascença é rara, e as pacientes deverão ser aconselhadas que a estimativa de peso fetal é imprecisa, particularmente numa fase tardia da gestação.
2C – Recomendação fraca, fraca qualidade de evidência

Excesso de peso materno
16 – As Mulheres deverão ser aconselhadas sobre o aumento de peso de acordo com as recomendações do IOM (Institute of Medicine), de forma a prevenirem o aumento excessivo de peso.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

Gestação gemelar
17 – Os resultados perinatais não são melhorados pelos partos por cesariana quando o primeiro gémeo se apresenta em posição cefálica. Assim, Mulheres que tenham gémeos quer em apresentação cefálica/cefálica ou cefálica/ não cefálica deverão ser aconselhadas a tentar o parto vaginal.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

Outras
18 – Indivíduos, organizações e instituições governamentais deverão trabalhar no sentido de assegurar que é conduzida investigação que providencie um melhor conhecimento que possa apoiar decisões relativas ao parto por cesariana, e que incentivem políticas seguras que possam baixar a taxa de cesariana no primeiro parto.
1C – Recomendação forte, fraca qualidade de evidência

A consulta do documento na íntegra pode ser feita no site da ACOG.
Tradução feita por Sandra Oliveira CD(DONA) para BioNascimento

Notas do tradutor (NdT) –
[1]  NdT  – Em oposição aos 15-20 minutos considerados de acordo com o padrão definido por Friedmannos anos 50.
[2]  NdT – Em oposição aos 45-60 minutos considerados de acordo com o padrão definido por Friedman nos anos 50.
[3] NdT – A amnioinfusão é atécnica pela qual se aumenta, transitoriamente, o volume amniótico, instilando,soro fisiológico na cavidade amniótica.
[4] NdT – O teste de estimulação do couro cabeludo, consiste em o médico obstetra efetuar pressão sobre o couro cabeludo do feto através de um toque vaginal. Se o feto estiver em perigo, essa pressão não causará aceleração da frequência cardíaca fetal.
[5] NdT – A versão por manobras externas consiste em converter uma apresentação desfavorável(pélvica ou transversa) numa apresentação cefálica.”

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Ser mãe….

Gostei muito deste texto, aliás, gosto muito de todos os textos que a Crsitina do blog mimami escreve.
Recomendo a leitura 😉

“Quando um bebé nasce, muda tudo. Acabam-se as noites bem dormidas, a liberdade, ganham-se novas responsabilidades. Parece uma escolha absurda que a biologia nos obriga, a bem da preservação da espécie. Escrevo a propósito da noite de ontem.

Nunca fomo​s de grandes celebrações na passagem do ano. Festa com hora marcada, tudo caro fora de casa, muito sono à meia-noite. Todos os anos a indecisão sobre o que fazer e acabávamos sempre por passar no conforto do lar. Uma​s vezes ganhámos coragem para ver o fogo-de-artifício, noutras nem por isso.
Mas no ano em que o Gui nasceu, sentia-me em prisão domiciliar. Não que eu quisesse sair, simplesmente não queria estar ali, a comer as 12 passas enquanto ele mamava os 12 goles de leite. Tirámos uma foto, para marcar o dia diferente. Em 2016, com 4 anos, teria sido possível ficar até à meia-noite, sair para ver o fogo-de-artifício, e sei que ele iria adorar. Mas estamos com a Bia nos braços! Passámos para 2017, enfiados na cama no escuro, Bia a mamar, comemos as passas, olhámos para trás, desejámos coisas boas para o futuro e… fomos dormir, que os putos têm um despertador natural incorporado.
Hoje escrevo para ti, mãe de primeira viagem, que ficas angustiada ao sentires essa prisão. Porque nem sempre a vida de mãe é aquela com que imaginámos que seria e há alturas em que questionamos as nossas escolhas. Que o ano de 2017 te traga serenidade e muitas gargalhadas com o teu bebé. Ele vai crescer, todas as dificuldades vão passar e dar lugar a novos desafios a cada dia. Vais olhar para trás e ver que o amor tudo compensa.
Por isso, 12 passas, 12 desejos, todos eles envoltos em ternura e carinho. <3”

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O Parto da Bia

Relato tirado do blog da minha querida amiga Cristina Cardigo.

https://mimami.org/2016/10/12/relato-de-parto-da-bia/

12 de Outubro, nasci há 35 anos, tu há 2 meses.
Tínhamos chegado às 40 semanas. Uma gravidez santa, fruto de uma conceção espontânea. Uma barriga enorme, com bastante líquido para uma bebé que se adivinhava grande. E uma vontade forte de parir de forma natural.
O Gui tinha nascido às 38 semanas. Agora os sintomas de pré-parto começaram às 36 semanas. Quando irá ser? Como irá ser? Ao mesmo tempo que surgiam estas questões, tentava pensar que a Bia iria nascer no seu tempo. E que eu confiava no meu corpo. Conselhos da minha doula para ir controlando a ansiedade.
Nesse dia fui à Clisa fazer o CTG. Uma semana antes tinha recusado o toque, desta vez nem se falou nisso. A Dra. Elsa Milheiras, obstetra que me seguiu durante a gravidez, estava de férias e regressava 3 dias depois. Tinha ficado com o contacto do Dr. Nicolau como backup. Ser atendida por um OB homem era algo que me incomodava. Sei que há muitas mulheres que os preferem mas simplesmente não me sentia confortável com a ideia.
Foi durante o curso com a Naoli Vinaver que resolvi este e outros bloqueios. Depois de conversar com a Márcia, minha doula (que já tinha acompanhado um parto com este médico), pesando os prós e os contras, acreditei que esta seria uma boa alternativa. Ir para um hospital público seria uma roleta russa, mulher ou homem, medicalizado ou humanizado.
Passei o dia com algumas contrações, nada de novo. As noites eram dedicadas à massagem do períneo e afins… Esta filha foi feita com muito amor, era de amor que ela precisava para vir ao mundo de forma natural. Abstive-me de caminhar, subir e descer escadas ou aspirar a casa, coisas que me cansavam e pouco prazer me davam. Bebi muito chá de folhas de framboeseiro com canela e gengibre, bem fresquinho. E tentei usufruir muito destes dias com a família, jantar fora, estar em paz… Muito amor, para que a ocitocina pudesse fluir e fazer o seu trabalho.
De noite comentei com a Márcia que o jantar não me tinha sabido bem e estava com algumas contrações. Depois de conversarmos um pouco, perguntou-me como estava o David, se nervoso ou ansioso. Disse-lhe que estava cheio de vontade, que tinha ido encher o depósito do carro e que quando voltasse de certeza que se iria disponibilizar para dar uma ajudinha ao processo. Mas estava com receio, afinal não queria estar a acordar tanta gente a meio da noite.
2h15, madrugada. Levanto-me com algumas dores, vou agachar-me para a bola de pilates. Contrações de 5 em 5 minutos. Respiro fundo… mãe de segundo é suposto ir para o hospital quando estão de 10 em 10. Fui tomar um duche, dancei e cantei a minha música favorita do curso da Naoli. Imaginei-me rodeada de todas aquelas mulheres, do seu calor e energia.
2h45, chamei o David e telefonei para a minha mãe. Podia ser um falso alarme, mas era melhor vir para cá. O Gui acordou e expliquei-lhe que ia para o hospital e que ele ficava com a avó. Tirou uns macacos do nariz, virou-se para o lado e continuou a dormir. Liguei para a Márcia. Falámos normalmente até ao silêncio de uma contração. Já estão longas! Ligámos ao Dr. Nicolau, que estava na clínica e nos disse para irmos calmamente. Preparei o chá da Naoli e arrumei o que faltava arrumar. Em cada contração, precisava de me curvar.
4h10, chegámos à Clisa, estava a Márcia à minha espera. Um abraço e líquido a escorrer pelas pernas naquele preciso momento. O poder da ocitocina! <3
Estava bem-disposta e expectante. Vesti uma bata catita, que em nada me incomodou, perguntaram-me se iria querer epidural. Acho que revirei os olhos e encolhi os ombros. Entreguei o plano de parto sem grandes conversas. Já tinha sido discutido com a Dra. Elsa e assegurado que tudo estava garantido. No parto do Gui não consegui evitar a epidural devido às dores fortes provocadas pela indução. Mas foi a mesma epidural que me fez perder a sensibilidade, não sabia quando fazer força e, portanto, levou-me à episiotomia e aos fórceps. Desta vez eu queria ter o controlo!
Disse que não queria canalização de uma veia mas sabia que seria algo que os médicos iriam pedir aos 5cm. Ainda devia faltar, eu estava tão bem que só podia estar no início.
O médico pede para avaliar. No plano de parto, pedi o mínimo de toques possível e sempre feitos pela mesma pessoa. Sabia que era algo para o médico sentir controlo sobre o processo. Coloca um dedo, bolsa intacta, colo elástico, desculpe mas tenho que usar o segundo dedo, ora 1, 2, 3, 4, 5 cm. Uau! Tinha dito à Márcia que não queria saber centímetros, por receio de desmotivar e por saber que nada disto é linear.
Continuámos no quarto, a conversar e comer bolachinhas. Sempre que vinha uma contracção, tinha 4 mãos maravilhosas para me apoiar. Recebi tanta massagem na zona lombar que no dia a seguir estava dorida! E o duche, não queres experimentar?,  ia perguntando a Márcia. Ainda não, vou esperar até que me sinta pior.
Nova avaliação, 8cm. Já pensou na posição?, perguntou o Dr. Nicolau. Vou decidir na altura.
As dores começavam a apertar e fomos para o duche, eu sentada na bola, abraçada ao David, enquanto a Márcia massajava e insistia com água na zona lombar.
Voltei para o quarto e precisava de me virar para dentro. Sentei-me na bola e as dores a intensificar. Já não era possível conter a voz. De repente, a bolsa rebenta e sinto água por todo o lado. Vai nascer! Chamem alguém! 
Fazem-me subir para a cama, diz quem lá estava que se via um rabo e era preciso um lençol, que não podíamos atravessar o corredor assim. Onde é que já se viu tamanha descompostura? Da maneira como eu estava a vocalizar, duvido que alguém reparasse no rabo, mas a verdade é que eu estava de olhos fechados e nada vi… Olhe que vai acordar os bebés! alguém disse quando atravessámos o corredor. Depois do parto o Dr. Nicolau contou-me sobre os países nórdicos, onde ensinam as mulheres a cantar/vocalizar durante o trabalho de parto.

O grito no parto não é necessariamente um grito de sofrimento. Muitas vezes é uma exteriorização de energia corporal, uma forma de aliviar a tensão do momento e ganhar forças. É um som que vem cá de dentro e é incontrolável.”

Eu não consigo… eu não consigo!!
Consegue sim! disse o Dr. Nicolau para me encorajar.
No bloco de partos, deite-se aí. Deitada não! Prefere sentada? Que dores!… Mas ainda tem as cuecas! Cortem!! Aqui não se corta nada! Levantei-me da cadeira e procurei a melhor posição. Virei costas a toda a gente e dobrei-me. Houve quem estranhasse esta mulher que ia parir de rabo para o ar. Parir é como ter relações, qualquer posição é boa! O médico é que tem que se adaptar. – ouviu quem rodeava o médico.
8h E ali estava eu, sabendo que agora tudo dependia de mim. Muito apoio do David, é a nossa filha, já a vejo, está quase, 3 contrações e ela estava cá fora. Agora deite-se para fazer pele com pele, ah espere lá que tem que levantar a perna para a bebé passar que ainda não cortámos o cordão.
Ela no meu peito, ele ao meu lado e um sorriso enorme nos lábios. 4,035 kgs de doçura. Dois pontinhos internos e nada mais.
Estava pronta para tomar o pequeno-almoço. 🙂 Um parto feliz, o meu parto, conduzido por mim, com uma equipa maravilhosa: filha Bia, pai David, doula Márcia e obstetra Nicolau.
Bem-vinda ao mundo, minha Bia!

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