Relatos de Partos

Resolvi criar este espaço para partilhar alguns relatos de partos que acompanhei. Nem todas as mães o escrevem, nem todas as mães o partilham, mas aqui ficam alguns que recebi 🙂 Espero que gostem tanto como eu 🙂

Parto da Inês

“Vitória – O Parto

10.07.2017
40 semanas e 3 dias. Era 1h da manhã quando começaram as primeiras contrações com intervalos mais regulares.
Tinha sido um dia giro, diferente – em que me permiti a relaxar e a fazer só o que me apetecia, sem olhar para o trabalho e para qualquer obrigação. De manhã, acordei e despachei umas coisas em casa, fui fazer umas últimas compras (actividade regular a partir das 38 semanas em que a iminência do parto é uma constante), fui à MAC onde uma senhora muito querida acabou por me maquilhar e, a meio da tarde, fui ter com a Márcia – a minha querida Doula. Fez-me uma massagem incrível e super relaxante (que, na verdade, desejei durante a gravidez inteira mas, por incrível que pareça, há sempre – ou pelo menos, para mim houve – um milhão de coisas para fazer e gerir antes da chegada de um bebé), conversámos muito e acabámos num lanche-ajantarado na praia de carcavelos.

Estava um fim de dia lindo – não propriamente solarengo, mas uma fusão muito bonita entre o sol e as nuvens cinzentas. Acho, até, que acabou por chuviscar. A Márcia ia de férias para a Tailândia dia 11 e estávamos a dia 9. A data prevista para o parto era 5 de Julho e o limite que o meu obstetra tinha estabelecido como seguro era dia 15. Ela falou-me deste plano logo que nos conhecemos, mas nunca senti que fosse um entrave. No entanto, com a data a aproximar-se era importante haver uma doula back up que me pudesse acompanhar.
Depois fui ter a casa da Marta e da Rita, petisquei qualquer coisa com elas mais uns amigos até que, a dada altura senti que era hora de voltar para casa. Tinha sentido uma contração um pouco mais evidente do que aquelas que andava a sentir há já uns dias (se bem que ainda com uma hora de intervalo entre elas).

​Já em casa, noite de lua cheia, sento-me no sofá a ouvir música, e começo a sentir contrações mais regulares. É estranho perceber se está na hora ou não quando somos mães de primeira viagem. Entretanto, a minha querida amiga-irmã Flávia (com quem não passo muito tempo fisicamente, mas com quem o meu espírito se encontra muitas vezes) envia-me uma música linda sobre o parto em noite de lua cheia – não falávamos há vários dias e ela enviou a música sem perceber o contexto. Foi um dos sinais mais bonitos que podia ter tido.
Decido ligar à Márcia a dar o primeiro alarme e a perguntar se acharia que podia estar na hora e combinámos falar um pouco mais tarde. Durou meia hora a espera. Estava sozinha em casa e queria ter a certeza de que nunca ficaria desconfortável em fase nenhuma. Entre as duas e as três da manhã, chegou a Márcia e a minha mãe. As mulheres mais bonitas e incríveis que podia ter ao meu lado no dia mais mágico de todos. Já explico a parte da magia mais à frente.

Passámos a noite juntas, ao som de Bonobo, em que o ritmo das contrações fugia muito ao padrão e era difícil de perceber se estava a avançar ou não. Por volta das sete da manhã decidimos ir tomar o pequeno almoço e dar uma volta ao quarteirão para tentar acelerar. Mas como sempre habituei a Vitória a muito exercício, ela queria ainda mais.

Depois de mais umas horas em casa, pedi para irmos passear à Ribeira das Naus, ver o rio, apanhar o sol da manhã e encontrar um lugar bonito para um brunch. Andámos, andámos (no meio de contrações e do parto mais improvável do mundo) – elas sempre com a maior paciência e amor do universo, até que chegámos ao rooftop to Hotel do Chiado e nos sentámos com uma das melhores vistas sobre Lisboa. Foi aí que percebi o meu corpo a anunciar a chegada da Vitória. Barriga muito descaída, lábios e cara inchada e contrações cada vez mais fortes.

Voltamos para casa, onde deixámos avançar um pouco mais. Sem a Márcia era impossível passar de forma tão tranquila e segura por cada contração. Ajudava-me a passar por cada uma delas com massagens e respirações. Sentia-a quase como uma extensão de mim, como a coragem que eu precisava que me dessem a conhecer – que embora já existisse dentro de mim (e de todas as mulheres), foi ela que me fez crer nela. Por outro lado, a presença da minha mãe, irmã e melhor amiga, também ela virgem neste processo de parto natural, foi imprescindível. Se a conhecessem, percebiam que a energia dela transborda de força. E ver a mulher que mais admiro, sentir, também ela, admiração por mim, é dos maiores boosts de confiança e amor que poderia querer ter ao meu lado.

Pelas cinco da tarde sentimos que seria boa ideia ir para o hospital. Queríamos ir numa fase suficientemente avançada embora ainda confortável para andar de carro e passar pelo processo de admissão no hospital.

Lá chegámos e demorou uma eternidade para que fosse atendida. O que tem a sua graça – tendo em conta que estava em trabalho de parto num hospital privado. Não menos hilariante foi o primeiro contacto com a enfermeira. É curioso perceber a falta de conhecimento de profissionais da saúde em relação ao papel de uma doula – pior, o preconceito. Mas preferi sempre ver tudo isto com humor (as hormonas são incríveis e ajudaram muito, aqui). Também pensaram que eramos namoradas e que a Márcia, de alguma forma, estaria a influenciar as minhas decisões. O que também tem piada – porque o papel dela foi sempre – ao longo dos nossos vários encontros durante a gravidez e durante o parto – dar-me toda a informação para eu ser o mais livre e feliz possível nas minhas escolhas. Seguimos para o CTG e depois toque com a obstetra de banco (que ainda tentou desviar o plano de parto e impingir a administração da epidural) mas tentei sempre ser a minha versão mais calma e grata. Estava com 5cm de dilatação.

Estivémos muitas horas à espera que a dilatação evoluísse mas parecia estar estagnada nos 6cm. O meu médico só viria quando eu estivesse a ir para o bloco para eu não sentir qualquer tipo de pressão, portanto acabei por ser examinada por uma médica que tornou tudo isto muito mais interessante. Cara fechada, um jeito bruto e insistente na administração de oxitocina. Confesso que, a dada altura me senti desnorteada e à beira de ficar sem forças. Mas depois de uma conversa ao telefone com o meu querido obstetra Pedro Martins, decidimos que rebentar as águas seria a melhor solução para eu conseguir poupar energias para o resto do trabalho de parto. A Márcia e a minha mãe, sempre serenas, e confiantes em qualquer que fosse a minha decisão.

Assim foi. Depois disso até ao bloco foi um ápice. O tempo voou no meio de contrações muito intensas. A Márcia – também já ela de rastos – não me largou um segundo. Quando fui para o bloco devo ter ficado uns 20 minutos sozinha (até hoje não percebemos porque não a deixaram entrar logo) onde estive com a parteira – a quem parecia estar a fazer o maior favor do mundo. Ainda assim, tentei manter a minha intenção de gratidão pela presença dela naquele momento (e, no final, valeu a pena).

Finalmente com a Márcia, vivemos um dos momentos mais bonitos. Estávamos só as duas, a fazer força e a deixar que a Vitória viesse a pouco e pouco. A Márcia foi a primeira a vê-la (uau!). Quando eu já não aguentava mais, chamámos o médico e foi tudo muito rápido. O corpo parece que não resiste àquele anel de fogo que é o bebé a sair dentro de nós. Foi o momento mais poderoso da minha vida. Nunca vou perder a imagem mental da primeira vez que vi a minha filha e do que senti: que depois daquilo, era capaz de tudo. A magia de que falei há pouco não tem que ver com o que idealizamos, mas com o poder de que nos apercebemos que temos enquanto mulheres e com a fé que depositamos e descobrimos nesta hora.

Não posso deixar de dizer que, no final, a parteira se emocionou. Ninguém naquele bloco de partos, para além de mim e da Márcia, acreditava que eu seria realmente capaz. Foi uma madrugada emocionante para todos os que lá estavam. Pelo menos, assim o descreveram.

A Márcia é das pessoas mais marcantes na minha existência e agradeço sempre muito pelos nossos caminhos se terem cruzado. Desde o momento em que a conheci, houve um match emocional, ideológico e espiritual grande mas nunca pensei que fosse tão orgânico e natural. Foi muito mais do que algum dia imaginei e podia pedir. Da mesma forma que desejo ter mais filhos, peço muito que possa ter a Márcia por perto novamente.

A Márcia descomplicou e desmistificou tudo o que se diz sobre este momento. Mostrou-me como é tudo tão natural e possível. Como é importante ouvirmos o nosso coração e percebermos o que é melhor para nós. O que nos faz sentir seguras. E que não faz mal mudar de ideias. Caminhar com ela é um processo muito livre e informado. E, sobretudo, cheio de muito amor.

Muito obrigada, minha querida Márcia, por me teres mostrado tantas coisas bonitas. Por teres acreditado em mim até ao fim. Por nunca largares a minha mão. Sou-te eternamente grata.

Com muito amor,
Inês”

Parto da Joana

“Segunda feira, 26 de janeiro, aula de yoga de manhã, almoço com mamãe e um pequeno passeio de 50m porque as costas não deixavam para mais. Descansei cerca de 40m antes de ir buscar o Sebastiao à escola, banho, jantar ao pequeno e fui finalmente eu tomar um chuveiro para relaxar as costas eram cerca das 8 da noite qd o João chegou a casa. Já há dias q as contrações andavam mais fortes mas sem dor, no entanto aseguir ao banho parece-me q tenho um dorzita na zona dos rins, decido deitar um pouco para perceber se vem e vai e se coincide com as contrações. Sabem aquelas situações em q nós sabemos q sim mas ainda achamos que não? Assim estava eu! Resolvi apontar a primeira contração eram quase 21h e elas vinham muito juntas, cerca de 7m, mas foi tão derrepente q eu ainda achava q se calhar não era ! Eram quase 22h ( a referência a horas é só para verem o rápido que foi) qd resolvo que é melhor o avô vir buscar o S. e de seguida ligo à Dra. Radmila.

Ela manda-nos para a clínica e saímos de casa eram 22h30.22h45 estou no CTG já sem dúvidas q estou em trabalho de parto pois as contrações não deixam dúvidas 3 dedos dilatação. Sao 23h e tenho ordem para fazer o que quiser “faz a tua dança” sussurra-me a Radmila, tenho à minha disposição uma bola, uma sala tranquila, chá de camomila, e 4 pessoas fantásticas. O meu João, a Márcia, minha querida amiga e doula, Dra Radmila e a Luísa tb da clínica. Aqui vamos nós! Entre contrações a vontade é de nos mexermos, ficar quieta à espera da próxima não, toca a ajudar, não tenham medo de não se lembrar o que fazer, tenho-vos a dizer que até exercícios novos eu inventei!! Rodar a anca era o meu foco, assim como fazer a respiração do Aaaaa e relaxar maxilar e ombros, foi onde me concentrei. Estive sempre presente até a conversar, mas na contração recolhia-me e focava-me nisso. Sei q tive muita sorte em ter o apoio total de quem estava cmg e de estar num ambiente tão ou mais calmo como se estivesse em casa. Estou eu na bola a rodar a bela da anca e a bolsa rompe. Deviam ser umas 23h30, desço para a sala onde está a piscina a parar pelo meio para rodar anca e “aaaaaa” em cada contração. 5 dedos dilatação. Entro na água, 23h40. Mais umas 3/4 contrações e vem uma que acaba numa vontade incontrolável de fazer força, a Dra. nem acredita que esta a ser tão rápido e pede só para ver a dilatação, 10 dedos, eu estou lá com a mão e já lhe sinto a cabeça, tenho ordem para fazer o que quiser. Mais uma e a cabeça sai quase toda, e agora para quem tem medo do rasgar vos digo, rasgou um bocadinho e eu sei quando foi, mas juro, a sensação foi a de alívio, não me doeu, pq foi quando a cabecinha deslizou toda para fora, o q alivia a pressão e eu pensei ok já está agora o resto é fácil, mais 1 ou 2 contrações e ela saiu, eram 23h55!! Estive sempre com as mãos a agarrá-la, sempre tão presente, e fui eu que a “puxei/amparei” para fora. Ela fica debaixo de água a olhar para mim, nuns segundos que me parecem horas, porque a quero abraçar e ao mesmo tempo a quero deixar desfrutar do seu nascer tão tranquilo, uma imagem q nunca vou esquecer, um imediato apaixonar ( pq é a minha 2 filha, no 1 não aconteceu tão imediato ) tiro-a da água, junto a mim, foi tudo tão rápido, tão intenso, e ao mesmo tempo tão tranquilo. A minha Olívia nasceu e eu não podia ter pedido mais.

Mas depois desta descrição toda, quero-vos transmitir o mais importante, o que senti e o que sinto. Senti na altura que sabia o que tinha a fazer, estava super confiante com as ferramentas que tinha. Eu sou suspeita para vos dizer isto pois a professora é minha amiga pessoal he he he, mas falo da minha experiência, o yoga deu-me essa confiança, não me deixando descontrolar ou ter medo da dor que viria, senti uma conexão com o meu corpo que nem sabia que tinha. Sinto com orgulho que fui guerreira, soltei-me sem medos, numa mistura de controle e descontrole no sentido da força da nossa natureza, se é que me faço entender. O nosso corpo manda, só temos que seguir…Sinto-me tão orgulhosa do meu parto!!

E aqui fica uma foto do tal momento que nunca vou esquecer 🙂 ”

(Foto tirada por mim)

Parto da Brenda

“Quando soube que eu estava grávida não tínhamos qualquer meta romântica ou sonho para o nascimento do bebê, somente expectativas. Assim como a maioria das mães queríamos um parto normal, porque é mais seguro, porque é mais saudável. Recebi um dia uma informação que no entanto, me incomodou: no Brasil o índice de cirurgias cesarianas é muito maior do que na Europa – mais de 50% dos nascimentos são feitos por cesariana. O meu ginecologista, claro, já tinha marcado a data da cirurgia, sem sequer ter perguntado se queríamos ter ou não uma cesaria. Ficamos perplexos, mas confiámos nele e na sua profissão.  Com dois meses de gravidez, informações simplesmente vieram ao meu encontro, e após muita pesquisa, vim a descobrir a máfia das cesarianas que acontecia no Brasil. Decidimos deixar o médico que nos acompanhava. Descobrimos que poderíamos ter um parto natural humanizado em casa.

Amigos, família, conhecidos, como podem imaginar, acharam uma loucura, mas estávamos dispostos a quebrar os paradigmas e continuar com a nossa ideia, pois recebíamos cada vez mais e mais informações que nos deixavam cada vez mais seguros. Depois de mostrarmos dados que vieram a confirmar que era mais seguro um parto humanizado em casa, começaram a aceitar, mas sempre com aquele pé atrás do “E se..”
Com tudo organizado, nossa família embarcou connosco nessa aventura, fomos atrás de uma equipa para nos ajudar, conseguimos um Parteiro e uma Doula.  Com 38 semanas e tudo pronto, estávamos somente a espera da hora do Pedro, da hora de Deus. Fizemos nossa última sessão de fotos clássicas da gravidez. Foi  uma sessão linda, e acabamos o dia na praia, era um dia normal, mal sabíamos que o amor de nossas vidas estava pronto a nascer. Nesse mesmo dia assistimos ao nascer da Lua, estava cheia, era um sinal, o dia foi lindo. Logo após ao jantar começaram as contrações, consideramos normal, achando que era mais uma ‘daquelas’ dores que temos durante a gravidez e tentamos ir dormir,  mas não conseguia, a dor vinha e desaparecia. Então dancei, fui à bola, tomei um duche quente. A dor não passava. Ah! Pois a dor, dói sim, e muito. Mas quando você se concentra e consegue ir  ao centro da dor, ali você encontra paz, tinha que ter os pés bem assentes no chão.  Chorei, brinquei, andei, deitei no chão, dormi. O Daniel, meu companheiro desta vida, meu esposo, esteve o tempo todo do  meu lado, ele segurava a minha mão. Quando demos conta já eram 5 horas da manhã, e foi quando caiu a ficha de que o Pedro podia estar para chegar. Ligámos a todos e demos a notícia. Com rapidez a Doula Márcia chegou, ia me fazendo massagens, o que aliviava a dor, ah pois a dor de novo, se o bebé tivesse na posição normal não seria tão doloroso, mas era para ser assim, teve de ser assim porque nada é por acaso.  Tudo organizado, velas acesas, música ambiente de fundo, um cheirinho a baunilha bem suave pairava no ar. Estava tudo pronto para a chegada do Pedro. Depois de tantas contrações fui para a piscina e no conforto do abraço de meu esposo encontrei a força que precisava,  seguro a mão do Daniel, faço força, ocitocina a trabalhar, não é desta vez. Em cada contração a dor ficava cada vez mais forte. Respira, mais uma contração, se eleva, não encare a dor como sofrimento.  É prazeiroso, mais uma contração, quando me dei conta do tal fogo, da conhecida partolândia, lá estava eu. Meu bebé estava a chegar. Viajei até à partolândia. A contração veio, soltei um grito alto e fui com tudo. Eu senti o Pedro saindo, quando meu parteiro me incentivou a pegar na cabecinha dele. Uau! Que momento. Mais uma contração e eu não estava a acreditar, o Pedro saiu nadando e veio direto ao meu colo. Com 3kgs e 51 cm.
Um choque, não acreditava, fui à partolândia, voltei, acreditei no meu corpo, consegui. Natureza perfeita. Mix de sentimentos.  Amor. Alegria. Choro. Alívio. Orgulho de ter passado por tudo e consegui. Fui a partolândia e voltei com o meu filho nos braços. Gratidão a Deus, Daniel, minha Doula Márcia, meu parteiro António, minha cunhada Flávia, minha sogra e todos aqueles que me deram força para seguir este caminho, o caminho do amor, o caminho do respeito ao tempo natural, o caminho Divino. Pedro nasceu em casa, em um ambiente tranquilo e cheio de amor. Meu primeiro filho, meu grande amor. “

“Parir é passar de um estágio ao outro. É um rompimento espiritual. E, como em todo o rompimento, provoca dor”, Mas quando ele nasce, você já nem lembra dela, é uma nova fase, uma nova vida.”

​Parto da Patrícia

“O Francisco é um petisco, que a mamã foi arranjar…”

Este título é uma das estrofes cantadas pelo papá, ainda na maternidade, quando escolhemos o nome do nosso segundo filho.
Esta gravidez chegou como uma grande aventura para nós; pois há data prevista para o nascimento, o nosso pequenino Sebastião faria 15 apenas meses; e, um grande desafio para mim, como mulher e mamã de segunda vez, no sentido de ter um parto natural e humanizado resgatado quando do Sebastião.

O primeiro passo foi encontrar um profissional amigo do parto natural e humanizado e o segundo uma doula. Encontrámos ambos. Marquei encontro com a Márcia na bela esplanada da praia das Avencas e lembro-me que não parámos de falar… senti proximidade e “à vontade” e partilhámos a mesma opinião em diversos assuntos. Estava decidida, a Márcia seria a minha doula. Senti que era essencial sentir-me à vontade e ainda poder usufruir das suas relaxantes massagens durante o trabalho de parto. E foi mesmo especial!
A gravidez correu maravilhosamente,  com algum stress para o final pois mudámos de casa a um mês do nascimento e, a minha obstetra iria muito provavelmente estar de férias na semana do nascimento.

Magiquei um plano B, que poucos dias depois transformei em plano A. Decidi ter o meu bebé na água no Hospital de S. Bernardo em Setúbal. Fui há famosa entrevista com o famoso enfermeiro Vítor Varela, que me inspirou imenso e fez-me acreditar que era a minha opção. Fui há conferência da Bárbara Harper sobre nascimento na água e marquei aulas de preparação para o parto na água mas, um dia depois de iniciar o curso, suspenderam por tempo indeterminado os partos na água no Hospital de Setúbal, ou seja, no sector público. Senti-me desolada e um pouco à deriva, não conseguia outra vez visualizar o nascimento do meu segundo filho.
Mas a um mês do nascimento tudo se encaixou…a mudança estava feita! O filhote já tinha o ninho preparado. E, na última semana, foi-me apresentado o obstetra que leu o meu plano de parto e o respeitou de imediato, foi um encontro curto e o único antes de ter o meu bebé com ele, mas senti-me confiante e inspirada.
Entrei de férias no início de Agosto e fui para o novo ninho, gozar os últimos dias de gravidez com o meu pequenino Sebastião, pois o papá ainda estava a trabalhar. E, foram mesmo só 3 dias. Na véspera tive uns pré-sintomas que me levaram há maternidade, mas foi apenas um sinal de que estava para breve…o que não imaginei é que 24 horas depois voltaria há maternidade já em trabalho de parto adiantado.
Por volta das 19h00, já com o papá em casa, senti que libertava líquido, não em grande quantidade, mas algo mais que o normal. Liguei para a Márcia e para o obstetra que viria de Torres Vedras para o meu parto. Pensei, será que é já? Ainda não sentia contracções, mas uma hora depois as contracções começaram, com alguma frequência. Ainda incrédula com a chegada do momento, continuei em casa bem descontraída; entre jantares, duche e preparação da logística para o Sebastião, nem me apercebia que as contracções faziam o seu maravilhoso trabalho.
As contracções íam e vinham, sem que me apetecesse contabilizá-las…estavam a aumentar de intensidade e frequência, mas muito gradualmente. Tinha a minha bola de Pilates, a mala da mamã e bebé, um chá especial para ir bebendo durante o trabalho de parto, receita da Márcia, bolinhos de azeite que a minha mana tinha feito e o mp3 com música que me apetecia ouvir durante o parto (as Avé Marias de Schubert e Bach e a banda Wah, que ouvi nas práticas de yoga durante a gravidez). E, a vontade de conhecer o meu bebé. Saímos de casa por volta das 22h30 e eu a imaginar que talvez o médico já estivesse à minha espera e na realidade chegou uma meia hora depois…
Decidimos manter a surpresa do sexo até ao nascimento. A nossa intuição dizia que seria outro menino, mas era-nos mesmo indiferente.
E, lá estávamos nós instalados num quartinho acolhedor, à média-luz, a ouvir música, a comer bolinhos e a beber chá. O Dr. Nicolau apareceu pouco depois com a sua boa disposição e tranquilidade…
A enfermeira que me observou disse, mas a bolsa ainda não rompeu…aí pensei, se ainda não estou em trabalho de parto, o que faço aqui? Heis que ouço em seguida, mas está em trabalho de parto e já com 5cm de dilatação. Suspirei de alívio e de satisfação…sentia-me tão bem! A partir deste momento foi só deixar-me ir…
As contracções vinham e eu apoiava-me na outra cama e concentrava-me a entoar uns sons longos enquanto a Márcia me massajava a zona lombar, e o milagre acontecia…a contracção transformava-se num curto transe suportável. Em nenhuma fase me lembrei de anestesias para o que quer que fosse, estava completamente entregue ao meu corpo e aquela magia. Talvez tenham passado 2 horas e já estava com 7cm de dilatação, sempre no mesmo transe…
Foi a partir dos 7cm que percebi o verdadeiro poder das contracções que ajudam o bebé a nascer, estavam muito mais intensas e longas e precisava concentrar-me mais para as suportar, mas depois desapareciam e eu descansava.
Senti vontade de fazer xixi e não me sentei pois parecia que o bebé podia nascer ali; foi aí que senti o que é a verdadeira (livre de epidurais) vontade de fazer força antes do bebé nascer…chegara o momento!
O Dr. Nicolau perguntou-me se queria ir a pé para a sala de parto, mas eu tive receio que o bebé nascesse no corredor e preferi não andar, comecei a temer um pouco o poder daquelas últimas contracções.
Conseguimos todos um lugar na sala de parto, que estava à média-luz, bravo!!! Tive direito a filme e fotos, fantástico!!! Instalei-me semi-sentada e lá continuei a acompanhar as contracções que levaram ao nascimento e, voilá: é um menino!!!
​Que sentimento indescritível e intenso ficar logo pele com pele com o nosso novo ser, estava zonza, nem liguei muito ao sexo pois estava preparada para menino…
Depois de todos prontos, fomos para o quarto descansar e começar ou continuar (pois ainda dava de mamar ao mano mais velho) a viagem da amamentação. E foi assim noite adentro e dia afora, e já 14 meses a fio e 29 meses para o mano mais velho! Continua a ser uma aventura maravilhosa!

​Obrigado família linda, doula querida e médico fantástico!
Bem hajam,
Patrícia Matos”

Parto da Janaina

“Me chamo Janaina de Arújo, e sou mãe de dois lindos e amados meninos.
Como não tive uma boa experiência no meu primeiro parto, no Hospital que tive o primeiro filhote; na segunda gravidez, quis fazer tudo diferente.
Comecei a perguntar ao meu médico, que tipo de exercícios eu poderia fazer, durante a gravidez; e nas opções que ele havia falado, estava o Yoga para Grávidas. Então, procurei um excelente local (Prema Yoga) para começar a praticar o Yoga para Grávidas; sendo que me ajudou muito, fisicamente e mentalmente. Durante o Yoga, tive a sorte de conhecer o que era uma Doula, e como seria importante ter uma, antes, durante e depois do trabalho de parto.
Foi então que conheci a Doula Márcia Sampaio, uma pessoa extraordinária, atenciosa e muito profissional. Era mesmo de algo assim, que eu estava a precisar. Alguém ao meu lado dando força, e ensinando o que eu poderia fazer para que tudo corresse como eu imaginava, ou seja, um parto calmo, tranquilo, maravilhoso, e que eu pudesse contar a todos, a experiência espectacular que tive no segundo parto.
Juntos, eu Doula Márcia e meu marido, conseguimos fazer do dia do nascimento do meu filhote caçula , um momento mágico e inesquecível.
A Doula Márcia, nos acompanhou antes, durante e depois do parto, e meu marido sempre junto, sendo um verdadeiro companheiro, e aprendendo tudo o que a nossa Doula, tinha para nos ensinar.
Meu parto foi no Hospital de Cascais; por ser um Hospital público, só deixam entrar um acompanhante; então tive a presença do meu marido, que foi maravilhoso. Nós conseguimos por em prática, tudo o que a Doula nos tinha ensinado, desde massagens,respirações, palavras de força, palavras carinhosas, posições de conforto, e muitas coisas mais que uma Doula tem para nos ensinar. Ela esteve sempre presente por telemóvel; nos acompanhando passo a passo.
O quarto estava com um clima de amor e tranquilidade, tínhamos música de fundo, e eu estava a vontade para fazer o que quisesse.
Meu trabalho de parto durou apenas 6 horas, e assim que água arrebentou, o Arthur nasceu passado 30 minutos, foi um sentimento inexplicável , enchendo o ambiente de puro e verdadeiro amor.
Assim termino o meu relato, agradecendo a oportunidade que tive de conhecer, o que seria ter uma Doula, e por ter tido uma Doula tão atenciosa e amorosa, nos proporcionando um parto dos meus sonhos.
Bjinhos a todos e principalmente à Márcia Sampaio, minha Doula e agora amiga.
Janaina de Araújo.”

Parto da Cristina

“Tínhamos chegado às 40 semanas. Uma gravidez santa, fruto de uma conceção espontânea. Uma barriga enorme, com bastante líquido para uma bebé que se adivinhava grande. E uma vontade forte de parir de forma natural.
O Gui tinha nascido às 38 semanas. Agora os sintomas de pré-parto começaram às 36 semanas. Quando irá ser? Como irá ser? Ao mesmo tempo que surgiam estas questões, tentava pensar que a Bia iria nascer no seu tempo. E que eu confiava no meu corpo. Conselhos da minha doula para ir controlando a ansiedade.
Nesse dia fui à Clisa fazer o CTG. Uma semana antes tinha recusado o toque, desta vez nem se falou nisso. A Dra. Elsa Milheiras, obstetra que me seguiu durante a gravidez, estava de férias e regressava 3 dias depois. Tinha ficado com o contacto do Dr. Nicolau como backup. Ser atendida por um OB homem era algo que me incomodava. Sei que há muitas mulheres que os preferem mas simplesmente não me sentia confortável com a ideia.
Foi durante o curso com a Naoli Vinaver que resolvi este e outros bloqueios. Depois de conversar com a Márcia, minha doula (que já tinha acompanhado um parto com este médico), pesando os prós e os contras, acreditei que esta seria uma boa alternativa. Ir para um hospital público seria uma roleta russa, mulher ou homem, medicalizado ou humanizado.
Passei o dia com algumas contrações, nada de novo. As noites eram dedicadas à massagem do períneo e afins… Esta filha foi feita com muito amor, era de amor que ela precisava para vir ao mundo de forma natural. Abstive-me de caminhar, subir e descer escadas ou aspirar a casa, coisas que me cansavam e pouco prazer me davam.

Bebi muito chá de folhas de framboeseiro com canela e gengibre, bem fresquinho. E tentei usufruir muito destes dias com a família, jantar fora, estar em paz… Muito amor, para que a ocitocina pudesse fluir e fazer o seu trabalho.
De noite comentei com a Márcia que o jantar não me tinha sabido bem e estava com algumas contrações. Depois de conversarmos um pouco, perguntou-me como estava o David, se nervoso ou ansioso. Disse-lhe que estava cheio de vontade, que tinha ido encher o depósito do carro e que quando voltasse de certeza que se iria disponibilizar para dar uma ajudinha ao processo. Mas estava com receio, afinal não queria estar a acordar tanta gente a meio da noite.
2h15, madrugada. Levanto-me com algumas dores, vou agachar-me para a bola de pilates. Contrações de 5 em 5 minutos. Respiro fundo… mãe de segundo é suposto ir para o hospital quando estão de 10 em 10. Fui tomar um duche, dancei e cantei a minha música favorita do curso da Naoli. Imaginei-me rodeada de todas aquelas mulheres, do seu calor e energia.
2h45, chamei o David e telefonei para a minha mãe. Podia ser um falso alarme, mas era melhor vir para cá. O Gui acordou e expliquei-lhe que ia para o hospital e que ele ficava com a avó. Tirou uns macacos do nariz, virou-se para o lado e continuou a dormir. Liguei para a Márcia. Falámos normalmente até ao silêncio de uma contração. Já estão longas! Ligámos ao Dr. Nicolau, que estava na clínica e nos disse para irmos calmamente. Preparei o chá da Naoli e arrumei o que faltava arrumar. Em cada contração, precisava de me curvar.
4h10, chegámos à Clisa, estava a Márcia à minha espera. Um abraço e líquido a escorrer pelas pernas naquele preciso momento. O poder da ocitocina! <3
Estava bem-disposta e expectante. Vesti uma bata catita, que em nada me incomodou, perguntaram-me se iria querer epidural. Acho que revirei os olhos e encolhi os ombros. Entreguei o plano de parto sem grandes conversas. Já tinha sido discutido com a Dra. Elsa e assegurado que tudo estava garantido. No parto do Gui não consegui evitar a epidural devido às dores fortes provocadas pela indução. Mas foi a mesma epidural que me fez perder a sensibilidade, não sabia quando fazer força e, portanto, levou-me à episiotomia e aos fórceps. Desta vez eu queria ter o controlo!
Disse que não queria canalização de uma veia mas sabia que seria algo que os médicos iriam pedir aos 5cm. Ainda devia faltar, eu estava tão bem que só podia estar no início.
O médico pede para avaliar. No plano de parto, pedi o mínimo de toques possível e sempre feitos pela mesma pessoa. Sabia que era algo para o médico sentir controlo sobre o processo. Coloca um dedo, bolsa intacta, colo elástico, desculpe mas tenho que usar o segundo dedo, ora 1, 2, 3, 4, 5 cm. Uau! Tinha dito à Márcia que não queria saber centímetros, por receio de desmotivar e por saber que nada disto é linear.
Continuámos no quarto, a conversar e comer bolachinhas. Sempre que vinha uma contracção, tinha 4 mãos maravilhosas para me apoiar. Recebi tanta massagem na zona lombar que no dia a seguir estava dorida! E o duche, não queres experimentar?,  ia perguntando a Márcia. Ainda não, vou esperar até que me sinta pior.
Nova avaliação, 8cm. Já pensou na posição?, perguntou o Dr. Nicolau. Vou decidir na altura.
As dores começavam a apertar e fomos para o duche, eu sentada na bola, abraçada ao David, enquanto a Márcia massajava e insistia com água na zona lombar.
Voltei para o quarto e precisava de me virar para dentro. Sentei-me na bola e as dores a intensificar. Já não era possível conter a voz. De repente, a bolsa rebenta e sinto água por todo o lado. Vai nascer! Chamem alguém! 
Fazem-me subir para a cama, diz quem lá estava que se via um rabo e era preciso um lençol, que não podíamos atravessar o corredor assim. Onde é que já se viu tamanha descompostura? Da maneira como eu estava a vocalizar, duvido que alguém reparasse no rabo, mas a verdade é que eu estava de olhos fechados e nada vi… Olhe que vai acordar os bebés! alguém disse quando atravessámos o corredor. Depois do parto o Dr. Nicolau contou-me sobre os países nórdicos, onde ensinam as mulheres a cantar/vocalizar durante o trabalho de parto.

O grito no parto não é necessariamente um grito de sofrimento. Muitas vezes é uma exteriorização de energia corporal, uma forma de aliviar a tensão do momento e ganhar forças. É um som que vem cá de dentro e é incontrolável.”

Eu não consigo… eu não consigo!!
Consegue sim! disse o Dr. Nicolau para me encorajar.
No bloco de partos, deite-se aí. Deitada não! Prefere sentada? Que dores!… Mas ainda tem as cuecas! Cortem!! Aqui não se corta nada! Levantei-me da cadeira e procurei a melhor posição. Virei costas a toda a gente e dobrei-me. Houve quem estranhasse esta mulher que ia parir de rabo para o ar. Parir é como ter relações, qualquer posição é boa! O médico é que tem que se adaptar. – ouviu quem rodeava o médico.
8h E ali estava eu, sabendo que agora tudo dependia de mim. Muito apoio do David, é a nossa filha, já a vejo, está quase, 3 contrações e ela estava cá fora. Agora deite-se para fazer pele com pele, ah espere lá que tem que levantar a perna para a bebé passar que ainda não cortámos o cordão.
Ela no meu peito, ele ao meu lado e um sorriso enorme nos lábios. 4,035 kgs de doçura. Dois pontinhos internos e nada mais.
Estava pronta para tomar o pequeno-almoço. 🙂 Um parto feliz, o meu parto, conduzido por mim, com uma equipa maravilhosa: filha Bia, pai David, doula Márcia e obstetra Nicolau.

Bem-vinda ao mundo, minha Bia!​”

Retirado do blog mimami: https://mimami.org/2016/10/12/relato-de-parto-da-bia/

Foto da Bia já com 2 meses 🙂 e um sorriso maravilhoso 🙂