Ingurgitamento e ductos mamários bloqueados

Ingurgitamento e ductos bloqueados

Hoje venho falar da minha experiência com a acupuntura (MTC) em casos de ingurgitamento e ductos bloqueados.

Estas duas situações, assim como, mamilo doloroso/ferido e mastites, são as principais situações a afetar a mama durante a amamentação e que levam as mães a procurar ajuda, ou até mesmo a desistir.

Os ductos mamários são os canais de drenagem do leite materno (das glândulas/alvéolos até ao mamilo). Por vezes há um bloqueio desses ductos, formando-se nódulos que impedem a passagem do leite. Pode ser acompanhado de dor, vermelhidão local e calor, e devemos procurar atuar logo, para evitar o desenvolvimento de mastites.

A abordagem, assim como o tratamento são únicos para cada mulher. Devemos analisar o enquadramento de todo o processo para que possamos fazer as recomendações mais adequadas. Além da parte física, a questão emocional tem um peso muito grande nestas situações.

ingurgitamento e ductos bloqueados

(imagem retirada do site: https://fundoimmlaco.pt/prevencao/)

 

Algumas recomendações gerais:

– Evitar uso de soutien com arame ou soutiens/tops apertados

– Evitar subir ou descer a camisola para amamentar, deixando-a a vincar alguma parte da mama

– Dar mama em livre demanda, evitando intervalos longos entre mamadas

– Verificar a pega do bebé (ou procurar ajuda nesse sentido) Video

– Oferecer a mama com o bebé em diferentes posições

– Massajar a mama, principalmente na zona do nódulo, e em direção ao mamilo

 

Deixo um feedback de uma mãe com uma bebé de 3 meses, que teve desde sempre a mama muito cheia e facilmente formando nódulos. Estava a tornar-se muito cansativo, pois extraía manualmente o leite após cada mamada.

 

“Olá Márcia, não quero estar a chatear nestes dias, mas tinha de enviar mensagem. As minhas mamas melhoraram muuuuiiiitoooo…É impressionante. Não quero deitar foguetes cedo demais, mas estou tão contente. Não têm encaroçado e já aguento de uma mamada para a outra. Tenho dado mama em exclusivo à Clara.”

 

*Um especial agradecimento à minha colega Rita Monteiro Miguel que se dedicou a estudar este assunto, apresentando e partilhando a sua Monografia de final de curso sobre este tema.

 

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Primavera na Medicina Tradicional Chinesa

Todas as estações do ano, têm uma influência particular no nosso organismo. Como podemos ajustar o nosso corpo e ritmo à Primavera?

A Primavera é a estação do elemento madeira, caracterizada pelo vento. O Fígado é o órgão associado a esta estação, e muito afetado por esta condição. Nesta estação do ano, temos uma energia de maior inspiração, limpeza, atividade, movimento, crescimento e renovação. Se a bloqueamos podemos criar sentimentos de frustração, raiva e estagnação.

É importante uma alimentação adequada, exercício moderado e descanso suficiente.

Recomendações gerais:

– Os dias maiores fazem com que algumas pessoas durmam menos. Continua a ser importante uma boa noite de sono reparador.

– Fazer exercício mantém-nos ativos, devemos sair para exercícios ao ar livre caminhadas, yoga, alongamentos. Tudo o que mantenha o corpo em movimento e alongado.

– Aproveitar esta energia de começo e renovação para “destralhar” a sua casa. Quando deixamos ir o que não precisamos, permitimos espaço para coisas novas.

– Boa altura para desintoxicar o corpo, eliminar os alimentos mais pesados e calóricos, fritos e processados. Começar a inserir alimentos mais frescos.

– Aproveite esta energia de inicio e criação para começar algo novo.

– Agasalhar bem a região cervical para proteger do vento (cachecol, echarpe, lenço).

 

Alimentos a evitar:

– Fritos

– Álcool

– Lacticínios

-Farinhas brancas

– Alimentos processados

– Moderar o consumo de carnes

 

Alimentos recomendados:

– Vegetais verdes crus, escaldados ou salteados na wok (espinafre, rama de beterraba, agrião, rúcula, couve pack choi, acelgas, ect).

– Os rebentos também são uma excelente opção nesta altura do ano, podem ser comidos crus ou salteados com outros vegetais

– Amaranto, quinoa, millet, cevada

– Fermentados como a kombucha, kimchi, chucrute, pickle caseiro

– Infusões de dente-de-leão ou hortelã

 

Estes conselhos devem ser seguidos com bom senso. Na visão da Medicina Tradicional Chinesa, devemos adaptar a alimentação a cada um, de acordo com as características pessoais.

No entanto, estas recomendações gerais podem ajudar a manter o equilíbrio e evitar as doenças mais comuns da Primavera.

Se precisar de ajuda teremos todo o gosto em ajudar.

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Preparação para o parto com MTC

A investigação sobre o uso da acupunctura na preparação da mulher para o trabalho de parto, surgiu pela primeira vez em 1974, com um estudo realizado por Kubista e Kucera (https://www.researchgate.net/publication/284625163_Acupuncture_For_Prebirth_Treatment_An_Observational_Study_Of_Its_Use_In_Midwifery_Practice?fbclid=IwAR08bO5fk0G-MQ_Tzzm1m4H3kvfaDa557osgK9YXuHTU626EBpR1Ib7ibcM).

A pesquisa concluiu que a acupunctura, realizada uma vez por semana a partir das 37 semanas de gestação, foi bem sucedida na redução do tempo médio do trabalho de parto das mulheres submetidas ao tratamento.

À medida que nos aproximamos da data prevista de parto, algumas emoções podem surgir; medo, ansiedade, tensão física e emocional, etc. É importante para mulher criar espaço para ouvir o seu corpo, tempo para cuidar de si e disponibilidade para abrandar*.

Nestas sessões de preparação para o parto, vamos abranger tanto a parte física, como emocional e o feedback que vou recebendo tem sido muito positivo. As mulheres que se preparam para um parto fisiológico/vaginal, assim como as mulheres que por algum motivo irão para uma cesariana, podem beneficiar destes tratamentos que podem incluir as várias técnicas usadas na MTC (acupuntura, massagem, fitoterapia, dietética assim como alguns exercícios físicos).

Na minha experiência, tenho tido melhores resultados com estes tratamentos a iniciar pelas 36 semanas com frequência semanal.

Testemunho da Sara

“A Medicina Tradicional Chinesa ajudou-me bastante na gravidez a nível físico, no alívio das dores lombares e dorsais, e também a nível emocional fazendo-me sentir mais equilibrada e tranquila para o momento do parto.”

 

*o ideal será que a grávida tenha um acompanhamento não só nesta fase final, mas durante a maior parte da gravidez, pois além das questões físicas, todo o apoio emocional e informativo vai dar maior segurança para esta experiência única e nova. Pode ser um acompanhamento com medicina tradicional chinesa por alguém com especialidade nesta área, ou estes tratamentos como complemento ao acompanhamento de uma doula.

Estas sessões não substituem as consultas da equipa de saúde convencional.

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Medicina chinesa e a fertilidade

Gerar uma vida é algo muito especial. “É o perfeito encontro de Yin e Yang, as duas polaridades fundamentais do Universo”.
Metade da essência é constituída no momento da conceção, a outra metade é formada ao longo das 40 semanas gestacionais através da passagem da essência da mãe (a energia que ela extrai dos alimentos e do ar) diretamente para o bebê.
Se a mãe não tiver disponível um bom nível de essência, o seu organismo priorizará o bebé e retirará diretamente da sua reserva.
A Medicina Tradicional Chinesa pode ser um bom aliado na fase pré conceção (assim como durante a gravidez), usando várias ferramentas como dietética, fitoterapia, massagem, acupunctura, exercício, estilo de vida. O objetivo é estimular o corpo a encontrar o seu equilíbrio.
É também muito útil em processos de infertilidade e no apoio a FIV (Fertilização in Vitro).
Deixo algumas sugestões gerais para a pré conceção e uma gravidez saudável, contudo à luz da MTC, cada caso deverá ser analisado e recomendações mais especificas só poderão ser dadas após um diagnóstico

• Reduzir o ritmo de trabalho
• Dormir pelo menos 8 horas (e sempre que possível pequenas sestas principalmente na gravidez)
• Exercício físico moderado
• Momentos de relaxamento, principalmente na natureza
• Comer com regularidade, optar por alimentos saudáveis e nutritivos (cereais integrais, frutas, vegetais, leguminosas, oleaginosas), de preferência da época e biológicos
• Evitar alimentos processados
• Evitar café, tabaco e álcool

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O Inverno na Medicina Tradicional Chinesa

O Inverno na Medicina Tradicional Chinesa

Todas as estações do ano, têm uma influência particular no nosso organismo. Como podemos
ajustar o nosso corpo e ritmo ao Inverno?
O Inverno é a estação do elemento Água, caracterizado por chuva e frio. O Rim é o órgão
associado a esta estação, e muito afetado por estas condições (frio e chuva). É importante uma
alimentação adequada, exercício moderado e descanso suficiente. É uma época que
representa introspeção e recolhimento, tanto intelectual e emocional, como físico.
Recomendações gerais:
– Dormir mais tempo (deitar mais cedo, levantar mais tarde). Vivendo de acordo com a
natureza, seria importante mais tempo de descanso, respeitando os dias que são mais curtos
nesta época do ano.
– Evitar exposição excessiva ao vento, frio e humidade.
– Fazer exercício mantém-nos ativos, no entanto nesta época do ano, devemos escolher
exercícios suaves como o Yoga, Tai chi, Chi Kung.
-Agasalhar bem a região cervical, lombar e abdominal, assim como os pés para proteger do frio
e do vento.

Alimentos a evitar:
– Alimentos frios e crus
– Lacticínios
-Farinhas brancas
– Alimentos processados

Alimentos recomendados:
Os alimentos no Invernos devem ser consumidos preferencialmente cozinhados, a baixa
temperatura. As sopas e os caldos, são uma excelente opção, assim como os estufados.
Alimentos da época como os tubérculos, abóbora, batata doce, cenouras, os vegetais de folha
verde.
Alimentos que tonificam o Rim como feijões em geral (o preto em especial), sementes de
sésamo pretas, avelãs, castanha, arroz integral, aveia, quinoa.
Condimentos e especiarias como gengibre, canela, cominhos.
A ingestão de líquidos é muito importante, e nesta altura podemos optar por infusões mornas
que ajudam a aquecer o interior.
Estes conselhos devem ser seguidos com bom senso. Na visão da Medicina Tradicional
Chinesa, devemos adaptar a alimentação a cada um, de acordo com as características pessoais.

No entanto, estas recomendações gerais podem ajudar a manter o equilíbrio e evitar as
doenças mais comuns do Inverno.

Para recomendações mais específicas info@marciasampaio.com

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Feedback de paciente

Mesmo antes de vir de férias, recebi um telefonema de uma grávida, um pouco ansiosa com a situação em que se encontrava. Consegui arranjar um horário bem cedo para a receber no dia anterior à minha partida.
Estivemos a conversar durante um bom tempo, esclarecendo, tirando dúvidas e depois a sessão de tratamento (acupunctura, massagem, auriculoterapia) e mais umas dicas.

5a feira, no segundo dia das minhas férias, no dia em que iria ter uma consulta decisiva com o médico, recebi este email 🙂

“Olá Márcia.

A Noa nasceu esta madrugada. Foi um parto fantástico! Cheguei ao hospital já com 7 dilatação. Já não tive tempo para epidural, fizeram 1 raquis. Parto de cócoras sem episiotomia, apenas 1 pequena laceração! Três forças e estava cá fora. É uma bebé linda de 3800.

Obrigada pelo teu trabalho.

Mais tarde tento escrever algo mais específico sobre o excelente trabalho que fazes. ”

E fico tão, mas tão feliz <3 <3 <3

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Enjoo/Náuseas na gravidez

Cerca de 70% das mulheres sofrem de enjoos matinais no primeiro trimestre, sendo que estes podem prolongar-se durante o resto da gravidez. As náuseas podem vir com ou sem vómitos, ocorrem principalmente na parte da manhã, mas podem se manifestar a qualquer momento do dia.

O mecanismo exato do desenvolvimento deste sintoma é desconhecido. Sabe-se, no entanto, que as alterações hormonais, principalmente estrogénio, progesterona e hCG (gonadotrofina coriônica humana) podem estar relacionadas com o quadro. Existem evidências de que quanto maior hCG no organismo, maior incidência de náuseas. Além disso a progesterona tem ação sobre a motilidade do trato intestinal, que se tiver mobilidade reduzida, demora mais tempo a esvaziar.

Em Medicina Tradicional Chinesa, as náuseas podem ter várias origens. Os tratamentos serão no sentido de fortalecer o sistema digestivo e equilibrar possíveis desarmonias quer com acupunctura, aconselhamento alimentar ou plantas.

Dicas gerais:

Hidratação – É muito importante mantermos uma boa ingestão de líquidos. A desidratação pode agravar os enjoos, e ao mesmo tempo, os enjoos, se acompanhados por vómitos, podem levar à desidratação. Nem sempre é fácil bebermos água enquanto nos sentimos enjoadas, podemos beber pequenos goles, ou optar por infusões de hortelã, gengibre ou água com pingos de limão ou ainda caldo de miso.

Manter os níveis de açúcar estáveis – Não estar muito tempo sem comer, e tentar evitar alimentos com alto índice glicémico, ou seja, que vão criar subidas e descidas grande de açúcar. Dar preferência por exemplo a pão integral, arroz integral ou batata doce.

Pontos de pressão – Pressionar o ponto 6MC pode ajudar a aliviar os sintomas.

Deixo aqui uma parte do documento das recomendações da OMS (Organização mundial de saúde) para uma experiência de gravidez positiva relativamente às náuseas:
“Gengibre, camomila, vitamina B6 e/ou acupuntura são recomendadas para alívio dos enjoos no início da gravidez, dependendo das preferências da mulher”

Mais informações: info@marciasampaio.com

 

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Parto da Inês

“Vitória – O Parto

10.07.2017
40 semanas e 3 dias. Era 1h da manhã quando começaram as primeiras contrações com intervalos mais regulares.
Tinha sido um dia giro, diferente – em que me permiti a relaxar e a fazer só o que me apetecia, sem olhar para o trabalho e para qualquer obrigação. De manhã, acordei e despachei umas coisas em casa, fui fazer umas últimas compras (actividade regular a partir das 38 semanas em que a iminência do parto é uma constante), fui à MAC onde uma senhora muito querida acabou por me maquilhar e, a meio da tarde, fui ter com a Márcia – a minha querida Doula. Fez-me uma massagem incrível e super relaxante (que, na verdade, desejei durante a gravidez inteira mas, por incrível que pareça, há sempre – ou pelo menos, para mim houve – um milhão de coisas para fazer e gerir antes da chegada de um bebé), conversámos muito e acabámos num lanche-ajantarado na praia de carcavelos.

Estava um fim de dia lindo – não propriamente solarengo, mas uma fusão muito bonita entre o sol e as nuvens cinzentas. Acho, até, que acabou por chuviscar. A Márcia ia de férias para a Tailândia dia 11 e estávamos a dia 9. A data prevista para o parto era 5 de Julho e o limite que o meu obstetra tinha estabelecido como seguro era dia 15. Ela falou-me deste plano logo que nos conhecemos, mas nunca senti que fosse um entrave. No entanto, com a data a aproximar-se era importante haver uma doula back up que me pudesse acompanhar.
Depois fui ter a casa da Marta e da Rita, petisquei qualquer coisa com elas mais uns amigos até que, a dada altura senti que era hora de voltar para casa. Tinha sentido uma contração um pouco mais evidente do que aquelas que andava a sentir há já uns dias (se bem que ainda com uma hora de intervalo entre elas).

​Já em casa, noite de lua cheia, sento-me no sofá a ouvir música, e começo a sentir contrações mais regulares. É estranho perceber se está na hora ou não quando somos mães de primeira viagem. Entretanto, a minha querida amiga-irmã Flávia (com quem não passo muito tempo fisicamente, mas com quem o meu espírito se encontra muitas vezes) envia-me uma música linda sobre o parto em noite de lua cheia – não falávamos há vários dias e ela enviou a música sem perceber o contexto. Foi um dos sinais mais bonitos que podia ter tido.
Decido ligar à Márcia a dar o primeiro alarme e a perguntar se acharia que podia estar na hora e combinámos falar um pouco mais tarde. Durou meia hora a espera. Estava sozinha em casa e queria ter a certeza de que nunca ficaria desconfortável em fase nenhuma. Entre as duas e as três da manhã, chegou a Márcia e a minha mãe. As mulheres mais bonitas e incríveis que podia ter ao meu lado no dia mais mágico de todos. Já explico a parte da magia mais à frente.

Passámos a noite juntas, ao som de Bonobo, em que o ritmo das contrações fugia muito ao padrão e era difícil de perceber se estava a avançar ou não. Por volta das sete da manhã decidimos ir tomar o pequeno almoço e dar uma volta ao quarteirão para tentar acelerar. Mas como sempre habituei a Vitória a muito exercício, ela queria ainda mais.

Depois de mais umas horas em casa, pedi para irmos passear à Ribeira das Naus, ver o rio, apanhar o sol da manhã e encontrar um lugar bonito para um brunch. Andámos, andámos (no meio de contrações e do parto mais improvável do mundo) – elas sempre com a maior paciência e amor do universo, até que chegámos ao rooftop to Hotel do Chiado e nos sentámos com uma das melhores vistas sobre Lisboa. Foi aí que percebi o meu corpo a anunciar a chegada da Vitória. Barriga muito descaída, lábios e cara inchada e contrações cada vez mais fortes.

Voltamos para casa, onde deixámos avançar um pouco mais. Sem a Márcia era impossível passar de forma tão tranquila e segura por cada contração. Ajudava-me a passar por cada uma delas com massagens e respirações. Sentia-a quase como uma extensão de mim, como a coragem que eu precisava que me dessem a conhecer – que embora já existisse dentro de mim (e de todas as mulheres), foi ela que me fez crer nela. Por outro lado, a presença da minha mãe, irmã e melhor amiga, também ela virgem neste processo de parto natural, foi imprescindível. Se a conhecessem, percebiam que a energia dela transborda de força. E ver a mulher que mais admiro, sentir, também ela, admiração por mim, é dos maiores boosts de confiança e amor que poderia querer ter ao meu lado.

Pelas cinco da tarde sentimos que seria boa ideia ir para o hospital. Queríamos ir numa fase suficientemente avançada embora ainda confortável para andar de carro e passar pelo processo de admissão no hospital.

Lá chegámos e demorou uma eternidade para que fosse atendida. O que tem a sua graça – tendo em conta que estava em trabalho de parto num hospital privado. Não menos hilariante foi o primeiro contacto com a enfermeira. É curioso perceber a falta de conhecimento de profissionais da saúde em relação ao papel de uma doula – pior, o preconceito. Mas preferi sempre ver tudo isto com humor (as hormonas são incríveis e ajudaram muito, aqui). Também pensaram que eramos namoradas e que a Márcia, de alguma forma, estaria a influenciar as minhas decisões. O que também tem piada – porque o papel dela foi sempre – ao longo dos nossos vários encontros durante a gravidez e durante o parto – dar-me toda a informação para eu ser o mais livre e feliz possível nas minhas escolhas. Seguimos para o CTG e depois toque com a obstetra de banco (que ainda tentou desviar o plano de parto e impingir a administração da epidural) mas tentei sempre ser a minha versão mais calma e grata. Estava com 5cm de dilatação.

Estivémos muitas horas à espera que a dilatação evoluísse mas parecia estar estagnada nos 6cm. O meu médico só viria quando eu estivesse a ir para o bloco para eu não sentir qualquer tipo de pressão, portanto acabei por ser examinada por uma médica que tornou tudo isto muito mais interessante. Cara fechada, um jeito bruto e insistente na administração de oxitocina. Confesso que, a dada altura me senti desnorteada e à beira de ficar sem forças. Mas depois de uma conversa ao telefone com o meu querido obstetra Pedro Martins, decidimos que rebentar as águas seria a melhor solução para eu conseguir poupar energias para o resto do trabalho de parto. A Márcia e a minha mãe, sempre serenas, e confiantes em qualquer que fosse a minha decisão.

Assim foi. Depois disso até ao bloco foi um ápice. O tempo voou no meio de contrações muito intensas. A Márcia – também já ela de rastos – não me largou um segundo. Quando fui para o bloco devo ter ficado uns 20 minutos sozinha (até hoje não percebemos porque não a deixaram entrar logo) onde estive com a parteira – a quem parecia estar a fazer o maior favor do mundo. Ainda assim, tentei manter a minha intenção de gratidão pela presença dela naquele momento (e, no final, valeu a pena).

Finalmente com a Márcia, vivemos um dos momentos mais bonitos. Estávamos só as duas, a fazer força e a deixar que a Vitória viesse a pouco e pouco. A Márcia foi a primeira a vê-la (uau!). Quando eu já não aguentava mais, chamámos o médico e foi tudo muito rápido. O corpo parece que não resiste àquele anel de fogo que é o bebé a sair dentro de nós. Foi o momento mais poderoso da minha vida. Nunca vou perder a imagem mental da primeira vez que vi a minha filha e do que senti: que depois daquilo, era capaz de tudo. A magia de que falei há pouco não tem que ver com o que idealizamos, mas com o poder de que nos apercebemos que temos enquanto mulheres e com a fé que depositamos e descobrimos nesta hora.

Não posso deixar de dizer que, no final, a parteira se emocionou. Ninguém naquele bloco de partos, para além de mim e da Márcia, acreditava que eu seria realmente capaz. Foi uma madrugada emocionante para todos os que lá estavam. Pelo menos, assim o descreveram.

A Márcia é das pessoas mais marcantes na minha existência e agradeço sempre muito pelos nossos caminhos se terem cruzado. Desde o momento em que a conheci, houve um match emocional, ideológico e espiritual grande mas nunca pensei que fosse tão orgânico e natural. Foi muito mais do que algum dia imaginei e podia pedir. Da mesma forma que desejo ter mais filhos, peço muito que possa ter a Márcia por perto novamente.

A Márcia descomplicou e desmistificou tudo o que se diz sobre este momento. Mostrou-me como é tudo tão natural e possível. Como é importante ouvirmos o nosso coração e percebermos o que é melhor para nós. O que nos faz sentir seguras. E que não faz mal mudar de ideias. Caminhar com ela é um processo muito livre e informado. E, sobretudo, cheio de muito amor.

Muito obrigada, minha querida Márcia, por me teres mostrado tantas coisas bonitas. Por teres acreditado em mim até ao fim. Por nunca largares a minha mão. Sou-te eternamente grata.

Com muito amor,
Inês”

 

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Promoção do trabalho de parto com acupuntura

Cada vez mais mulheres me procuram para “indução do parto” (não considero este o termo mais adequado, preferindo chamar o tratamento depromoção do trabalho de parto), uma vez que preferem um método mais “natural” do que a via química.

Ainda que este seja um método mais “natural”, não deixa de ser uma intervenção, fora do tempo da mãe e do bebé. As investigações sugerem que no momento em que o bebé está pronto para a vida fora do útero, liberta uma hormona que dá sinais às hormonas maternas para iniciar o trabalho de parto. Quando ambos estão prontos, o processo inicia-se. Além disso as datas prováveis de parto, são estimadas e não exatas e daí ser injusto para a mãe e bebé que se queira induzir sem motivos válidos.
É importante que os casais sejam devidamente informados das reais necessidades da indução e dos possíveis “riscos”.

O papel da acupuntura é de ajudar a promover as contrações uterinas, o amadurecimento do colo do útero e dilatação. Além disso é muito importante aliviar a tensão da mãe, avaliar os níveis de stress e ansiedade, frutos do próprio cansaço, vontade de conhecer o bebé, acrescido da pressão social e médica.
Apesar de muitas mulheres entrarem em trabalho de parto após o primeiro tratamento, o mais comum é ser ao fim do 2º ou 3º e por isso se deve iniciar uns dias antes da indução marcada para termos um tempo razoável para preparar o corpo, idealmente após as 41 semanas. Estes tratamentos deverão ser o mais consecutivos possíveis.

Deixo alguns testemunhos de mamãs que recorreram e me enviaram feedback.

“Procurei-te num momento de ansiedade, amor e insegurança. Sonhei 9 meses com um parto despoletado naturalmente e vi-me obrigada às 40 semanas a assinar um termo de responsabilidade depois de no hospital me recomendarem ficar para induzir o parto. Procuraste dentro do teu conhecimento dar-me um caminho diferente. Uma opção que no meu entender veio resolver tudo. Avancei de coração expectante para umas sessões de acupuntura com moxa para despoletar as contrações e ver se o Afonso resolvia vir conhecer os pais. Dedicaste-te com todo o empenho numa altura em que seria de esperar que estivesses a programar e viver a passagem do ano. Estou-te grata pela dedicação e carinho com que me trataste! O que é certo é que após 2 sessões o Afonso decidiu por si vir conhecer o mundo no primeiro dia do ano! Ano novo vida nova, nunca nos esqueceremos da tua ajuda. obrigada por tudo”
Ana Diniz

“Estava já com 40 semanas e 1 dia quando decidi experimentar a promoção do trabalho de parto com acupuntura. Por ter tido uma cesariana com a minha primeira filha não poderia induzir o parto e já tinha a cesariana marcada para uns dias depois. Decidi experimentar a “indução” com acupuntura e bastou apenas uma sessão para obter o tão desejado efeito. Nessa mesma noite comecei a sentir contrações e de madrugada iniciou-se o trabalho de parto. Comigo funcionou na perfeição e é uma excelente opção para evitar as induções através de medicação”.
Margarida Montenegro

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